sábado, 7 de julho de 2007

Domingo, 24 de junho


Quando acordei de manhã, vi as velas rizadas. Agora, o vento está F3/4 NNW, mas parece q chegou a 30kts durante a noite, enquanto eu dormia. Tiramos os rizos, o barco se movimenta lindamente, faz aquele barulho da água batendo e depois, chuáááá... Está subindo um pouco de mar na proa, tivemos q fechar as gaiútas para ñ molhar. Surgiram novas estórias de barcos à deriva, motores q ñ funcionam e outras tragédias. Consigo perceber q não faltam motivos de preocupação, mas continuo nesse estado tão agradável de total irresponsabilidade. Temos um almoço comemorativo, com o delicioso atum do Sr. Mário, salada e purê de batatas. Obrigada, querido, estava mesmo uma delícia! A pressão caiu para 1021.

23 de junho


Amanheceu nublado, motores ligados. Às 10:00, entrou um WNW F3 e o Capitão concordou em desligar os motores para experimentar. Velejamos até as 17:00 em asa de pombo, SOG médio de 5.6kts. Lindo. O mar ficou crespinho, com poucos carneirinhos espalhados. Ganhei um turno de prêmio, das 17:00 às 20:00, a pressão caiu para 1022. Continuamos a perder latitude, até demais. Mas tudo bem, não tenho pressa de chegar a nenhum lugar. Está bom aqui.

22 de junho


Às 09:59 falei com a Tina, do Enjoy, para pegar a previsão: 8kts SW. Mar calmo, de longos rolões. A pressão, que estava em 1028 ontem, caiu para 1027 hoje. Estamos bem no meio de uma "alta", típica aqui nesta época. Ontem na Rueda, rolou mais uma novela dessas q só têm a parte do meio: o Paulo, velejando com a mulher, achou um veleiro à deriva, de aço, chamado Coiros, bandeira inglesa, velas vermelhas em farrapos, gaiútas e vigias abertas, luzes de navegação acesas e bem fraquinhas. Chamou pelo rádio e nada. Encostou no contrabordo e gritou, mas ñ apareceu ninguém. Decidiu ir embora. Fica o mistério. O q teria acontecido com os tripulantes? Mas acho q eu tb ñ teria entrado. O comentário geral é q se fossem franceses, certamente teriam entrado para ver o q havia de bom para roubar no tal Coiros. Não fico chocada. Assim tb fazem os meninos pobres, quando algum caminhão capota na Dutra. A moral cristã faz mais sentido em campanha eleitoral do q no mar. Mas essa estória do Coiros desatou outras. Uma de um casal, ele navegador e ela fazendo sua primeira travessia. Quando ela acordou de madrugada para o turno, ele ñ estava mais lá. Ela foi achada 3 dias dpois (pelos logs de bordo) sentadinha num canto do cockpit, em estado de choque. Os especialistas acharam traços de um choque com baleia. Mas a moça teve sorte. Quando foi achada, prevaleceu a moral cristã à lei do mar. Outra estória foi de 2 casais velejando em um catamaran (mm setup q nós), lá no Caribe. Parece q há um erro na Carta, q ñ mostra um rochedo em forma de ferradura (Cayo Herradura). Dizem q é um lugar lindo, q forma uma piscina calma, com ondas quebrando logo ali fora. Parece q muitos sabem do erro na Carta, mas esse catamaran ñ sabia e bateu no rochedo. Dos 4 a bordo, morreram 3 e uma ficou ferida. Por que morreram? Pq ñ seguiram a regrra do Wilfrredo. No barrco do Wilfrredo, ninguém dorme de cabeça para a prroa. Enfim, contam q havia vários barcos ancorados na piscina e as tripulações acordaram com o barulho do impacto. Enquanto discutiam sobre como ajudar, assistiram a um tétrico espetáculo de aplicação da lei do mar. Um dinghy abordou o cat acidentado e dois franceses entraram no barco, enquanto um terceiro ficou no dinghy. Rapidamente, os 2 foram passando de tudo: eletrônicos, equipamentos, roupas de tempo, motorzinho de popa et al. Com o dinghy cheio, os 3 voltaram para seu veleiro e se mandaram em silêncio, ainda no escuro da noite. Nossos amigos latinoamerinacos ñ conseguiram mais dormir e qdo clareou, foram lá para socorrer a ferida e constatar a morte dos outros 3. A família q socorreu a moça ferida ficou 3 meses retida para responder a um inquérito da polícia marítima. Dos franceses, ñ se soube mais nada. Talvez nem fossem franceses, mas a fama... Estamos boiando, o vento real é 0.0. Estamos concorrendo para o recorde de travessia lenta em catamaran. O 6mil continua levando o barco sozinho, frio. É belo o Atlântico Norte, especialmente quando o sol se põe. Ficamos sentados no último degrau da escada, com os pezinhos na água: 2479mts de profundidade. Hoje apareceu uma baleia, mas foi logo embora. Continuo encantada com este barco maravilhoso, mm com os 3 me ameaçando d q eu "vou ver só" quando virar o tempo.

sábado, 30 de junho de 2007

Cat não orça.


Ah, não? Então, vejam como anda com a grande no primeiro rizo, genoa 110 e motores desligados(!):

O Barco


Falta falar do barco, maravilhoso, os objetos ficam parados em cima da mesa, da bancada. O fogão nem prende as panelas, ñ precisa. A cesta de frutas ñ cai, a xícara de chá quente ñ cai, pode até esquecer o copo cheio na mesinha de cabeceira q ele ñ cai, e vai nos mesmos lugares q um monocasco; é veleiro também! Não consigo entender por q o Francisquete (meu amigo!) nunca me explicou isso?! Acabei de fazer minha seqüência de yoga no cockpit, inclusive os exercícios de equilíbrio, em plena velejada. Queria ver no monocasco! O dono deste cat recebeu o apelido carinhoso de “Lo Tiene Todo”, porque leva aqui dentro toda sorte de objetos. Seguem apenas alguns exemplos: um desfibrilador cardíaco, um dvd player reserva (vai q pifa o principal), uma enciclopédia inteira de clássicos do mar, incluindo O Corsário Negro, Os Piratas da Malásia e outros hits, umas 80 garrafas de vinho, fora as q já ajudamos a consumir, umas 300 latas de refrigerante, 5 bujões de gás, uma dúzia de latas grandes de confit de canard, litros de xampu e condicionador etc., etc., etc.... E das coisas de barco: 2 motores, 2 eólicos, montes de placas solares, gerador, dessalinizador, 2 pilotos, 2 radares, 2 gps-chart, montes de velas, 2 botes, 2 motores de popa e a lista ñ termina mais... Para mim, é um luxo, melhor q hotel. A bússola é um caso à parte, Finland, super precisa, responde na hora, fosforesce. Lá dentro, cada casal ficou com uma banana, a nossa é a de boreste. Temos nossa cabine de proa (legal qdo liga o motor de boreste) e a de popa, enorme, banheiro lindo com uma gaiúta enorme para ficar olhando os peixes. A Maura ñ se conforma q eu queira ficar lá fora o tempo todo, com esse salão maravilhoso, super confortável lá dentro, mas estou hipnotizada pelo mar sem fim, a lua crescendo para ficar cheia.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Foto nossa


Peço desculpas, preciso de uma internet melhor e prometo novas fotos do mar lindo.

Vida dura à bordo

21 de junho


Não faço turnos, até me ofereci, mas não. Assim, ñ tenho nenhuma preocupação a bordo. Nosso 7mil pifou, parece q por interferência do SSB. Ficamos só com o 6mil, q vem levando o barco sozinho. De resto, tudo funciona perfeitamente. Mar liso, vento de 6kts WSW, como dizia a previsão. Chegou o verão no Atlântico Norte. Saímos com pressão em 1021, e só subiu, para 1023, 1025 e agora, 1027. Não estamos sós, sabemos q o Jonense, aquele caco velho dos argentinos está um dia à nossa frente. Há um monocasco grande tb por aqui, umas duas milhas à frente, seguindo um rumo parecido. Não paro de gabar o conforto do catamaran, mas a diversão dos 3 aqui é dizer q eu ainda “ñ vi nada”, q eu vou “ver só” quando fechar o tempo e o catamaran mostrar sua outra face, o movimento desconjuntado e os barulhos assustadores. Entendo q deve ser divertido mm dizer essas coisas para quem nunca fez nenhuma travessia. Mas estou adorando ñ ter nenhuma responsabilidade. Essa é a última terra q veremos até o continente europeu, a ilha de São Miguel.

Por que Açores?


Porque eles são portugueses. Confundiram-se, ora pois.
Bem humorados, contam q os primeiros gajos q chegaram ali só encontraram uns pássaros, q ainda hoje se chamam garajaus (parecidos ao nosso atobá) q gritam, sobretudo à noite, mais quando vai fazer bom tempo. Mas eles pensaram q fossem açores (outro pássaro totalmente diferente) e assim ficou. Cada vez q queriam referir-se às tais ilhas, diziam aquelas dos açores.
São engraçados os portugueses, mas verdade seja dita, são tb grandes navegadores, q navegam por gosto, saber e tradição.

20 de junho à tarde


Mar liso, espelho para o capitão fazer a barba. Montes de golfinhos rotando fora d´água, mas ninguém se interessou: os 3 “já estão cansados” de ver golfinhos. O capitão me deixou 4 horinhas no leme para dar uma folga ao 6mil. O leme deste barco é encantador, um instrumento de precisão, calmo, sensível, responde na hora. Claro, sem menosprezar o do Swister, fantástico, mas é q este é calmo, não tem aquele resfolegar inquieto dos puro-sangues.

Desamarramos


Dia 20 às 13:00 hrs.

O Barco


É mesmo um barco de bacana. Tem essa cara de zangado dos Fountaine Pajot, mas é fantástico. Quero uma explicação do meu amigo Francisquete: como nunca me explicou q catamaran tb é veleiro? A diferença é q, ao contrário dos monocascos, o chão nunca vira parede, os objetos não se transformam em projéteis e não atacam os tripulantes. Ninguém precisa se segurar para caminhar, o copo fica quieto na mesa. Com pouco vento, anda tb, e vai aos mesmos lugares q os monocascos!! Com o maior conforto!